Passa um pássaro
E me chama
Quando vejo, já passou
Passou mas
Talvez sem saber
E talvez sem querer
Ou talvez sabendo
E talvez querendo
Me fez ver
É preciso aprender
A passar
Passar
E seguir viagem
Levando somente o canto
O canto que ensina
A passar
O canto que é canto
Pra anunciar
A chegada
E a despedida
Canto de todos
O mais perfeito
Canto que ensina
O desapego
Porque quem chega chega e começa
A partir
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Vida
O post de ontem me fez lembrar dessa música:
"Vida
Composição: Indisponível
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz"
"Vida
Composição: Indisponível
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz"
domingo, 5 de julho de 2009
Partidas
Uma amiga muito querida viaja hoje. Vai pra São Paulo, fazer um curso por lá. Depois do curso, vai ver o que acontece. Talvez volte, talvez fique por aquelas paragens. Apesar da viagem, porém, não a vi nos últimos dias, de forma que não deu pra gente se despedir. É, não deu, mas, confesso: isso não me incomoda. E não incomoda simplesmente porque isso não importa, já que, no fundo, seria algo meio sem sentido. Sim, meio sem sentido, uma vez que, embora ela vá, ela permanece, de alguma forma, aqui comigo, do mesmo jeito que eu, de alguma maneira, vou com ela. Sim, vou, de um jeito que já fui outras vezes e, sei, vou continuar a ir enquanto houver pessoas queridas partindo.
Antes tinha medo das partidas, mas elas foram se tornando frequentes e fui conhecendo-as melhor. Fui conhecendo-as mais e mais, até, finalmente, ter confiança pra brincar com elas, sim, brincar, como fazem as crianças, com total entrega. E foi assim que as partidas se tornaram minhas amigas, amigas que me ajudam a fazer cafuné nos sonhos e a criar sonhos novos, necessários pra que eu continue a me sentir viva e pra renovar o brilho dos olhos.
Ontem, pensando na viagem de que falava logo no começo deste post, lembrei de um verso de (Manuel) Bandeira que a minha amiga que viaja hoje, uma vez, me mandou. Diz assim: "Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir". Na ocasião, ela me escreveu (compartilho porque sei que ela não se importará): "essas lições de partir são sonhos, meus sonhos. Pra mim, a partida da morte, não necessariamente, é a embalagem de madeira. Toda viagem, no fundo, é uma morte: uma morte que leva para uma vida. Uma vida que depois, mais cedo ou mais tarde, será morrida: será matada. Vamos partir. Par-tir." Sim, partir. Vamos partir.
Antes tinha medo das partidas, mas elas foram se tornando frequentes e fui conhecendo-as melhor. Fui conhecendo-as mais e mais, até, finalmente, ter confiança pra brincar com elas, sim, brincar, como fazem as crianças, com total entrega. E foi assim que as partidas se tornaram minhas amigas, amigas que me ajudam a fazer cafuné nos sonhos e a criar sonhos novos, necessários pra que eu continue a me sentir viva e pra renovar o brilho dos olhos.
Ontem, pensando na viagem de que falava logo no começo deste post, lembrei de um verso de (Manuel) Bandeira que a minha amiga que viaja hoje, uma vez, me mandou. Diz assim: "Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir". Na ocasião, ela me escreveu (compartilho porque sei que ela não se importará): "essas lições de partir são sonhos, meus sonhos. Pra mim, a partida da morte, não necessariamente, é a embalagem de madeira. Toda viagem, no fundo, é uma morte: uma morte que leva para uma vida. Uma vida que depois, mais cedo ou mais tarde, será morrida: será matada. Vamos partir. Par-tir." Sim, partir. Vamos partir.
sábado, 4 de julho de 2009
Dia cinzento
Descansa o sol. Não se esconde. Não. É que é daquelas coisas que não se escondem. É daquelas coisas sempre visíveis. Visíveis ainda que em silêncio. Visíveis ainda que sem fazer barulho. Visíveis pelo que são. E só.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
colecionador de nuvens
Nada
Durmo sobre meu próprio sonho. Durmo e encontro mais do que o vazio. Encontro o nada absoluto. Nada, que não é bom nem ruim, apenas nada. Nada, que se rege por uma outra dinâmica. Nada, que não é sonho, mas tampouco pesadelo.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
luz e silêncio
gosto do silêncio das igrejas
e da luz que adentra devagar
naqueles arredores do divino
silêncio e luz
penso que Deus seja assim
ando cultivando o silêncio
as angústias silenciaram
acalmo o coração
aqueço-o
num iluminado afago
com as exatas cores do vitral
a luz suave
e um calor-útero
aconchego
acho que é isso que chamam de paz.
eu chamo.
e da luz que adentra devagar
naqueles arredores do divino
silêncio e luz
penso que Deus seja assim
ando cultivando o silêncio
as angústias silenciaram
acalmo o coração
aqueço-o
num iluminado afago
com as exatas cores do vitral
a luz suave
e um calor-útero
aconchego
acho que é isso que chamam de paz.
eu chamo.
Assinar:
Postagens (Atom)