vesti-las como quem veste a vida.
para alegrar a alma.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Boasvindas
Sensação de acolhida é quando a gente chega em casa e tem um bolo ainda quente nos esperando. :)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Da indiferença
Ela chorava compulsivamente no ônibus. Soluçava. Mas o que lhe impressionava era a indiferença alheia. Não, ela não queria ter uma longa conversa com um desconhecido. Nem ouvir conselhos, ou ter um ombro amigo. Mas se espantava com a indiferença. Era como se as pessoas não vissem o que lhe acontecia. Cada qual, inclusive ela, absurdamente enclausurado em seus problemas.
Não, na verdade ela não pensava sobre nada disso naquele momento... Enquanto era acometida pelo choro ela apenas punha pra fora todas as dores, tudo o que guardara durante anos a fio. Era um misto da dor com uma indescritível sensação de liberdade, a liberdade pelas lágrimas. Quem observava a indiferença era eu.
Também aparentemente indiferente.
E dizia:
"Coma chocolates, pequena;
Coma chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates."
(Fernando Pessoa)
Não, na verdade ela não pensava sobre nada disso naquele momento... Enquanto era acometida pelo choro ela apenas punha pra fora todas as dores, tudo o que guardara durante anos a fio. Era um misto da dor com uma indescritível sensação de liberdade, a liberdade pelas lágrimas. Quem observava a indiferença era eu.
Também aparentemente indiferente.
E dizia:
"Coma chocolates, pequena;
Coma chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates."
(Fernando Pessoa)
Desabafo
Gosto de acender incenso vez por outra. Por isso, costumo ter em casa vários tipos de incenso, cada um pra uma finalidade. Antes de ontem, porém, tive de jogar umas seis "caixinhas" no lixo. Todas passadas da validade (sim, incensos também têm data de validade) e isso não por eu tê-las comprado e demorado a usar. Não. Na verdade, comprei-as fora do prazo de validade (sem saber, claro).
É, eu tenho certeza, porque comprei os tais incensos na "Mundo Verde" do Plaza há um mês e, quando fui ver, antes de ontem, todos tinham mais de um ano de vencidos. Minha vontade foi a de ir lá reclamar, mas, como não conservava mais a nota fiscal, não havia muito o que fazer, talvez apenas mencionar o fato quando eu for à "Mundo Verde" de novo. De todo modo, a partir de agora, serei mais atenta a essa questão da validade dos incensos, mesmo porque acho que é algo completamente negligenciado pelos comerciantes, que, imagino, não cogitam da existência de prazo de validade no que se refere a incensos. O desconhecimento deles, contudo, não afasta a responsabilidade que, por força do Código de Defesa do Consumidor, têm. Isso porque esse diploma legal - desculpem a eventual chatice - consagra, no seu art. 18, a responsabilidade objetiva (sem necessidade de prova de dolo ou culpa) dos fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis que tragam vícios de qualidade (prazo de validade ultrapassado, por exemplo) ou quantidade que, dentre outras coisas, os tornem impróprios ou inadequados ao consumo. O CDC é tão atento à questão que, além de determinar ser a responsabilidade objetiva nesses casos, diz, ainda, que se trata também de responsabilidade solidária, pelo que mesmo o fabricante pode ser responsabilizado caso o comerciante venda o produto daquele (do fabricante) após expirada a validade.
Em todo caso, porém, o melhor, inclusive pra evitar dor de cabeça, é checar o prazo de validade, tanto dos incensos, como de tudo o mais. Quando a gente esquecer disso, todavia, e se deparar com um produto com prazo de validade expirado, é preciso, apesar de ser algo chato e até desgastante de fazer, reclamar. Reclamar pra que o consumidor seja tratado com mais cuidado. Reclamar porque, nessas situações, realmente é preciso. E como é!
É, eu tenho certeza, porque comprei os tais incensos na "Mundo Verde" do Plaza há um mês e, quando fui ver, antes de ontem, todos tinham mais de um ano de vencidos. Minha vontade foi a de ir lá reclamar, mas, como não conservava mais a nota fiscal, não havia muito o que fazer, talvez apenas mencionar o fato quando eu for à "Mundo Verde" de novo. De todo modo, a partir de agora, serei mais atenta a essa questão da validade dos incensos, mesmo porque acho que é algo completamente negligenciado pelos comerciantes, que, imagino, não cogitam da existência de prazo de validade no que se refere a incensos. O desconhecimento deles, contudo, não afasta a responsabilidade que, por força do Código de Defesa do Consumidor, têm. Isso porque esse diploma legal - desculpem a eventual chatice - consagra, no seu art. 18, a responsabilidade objetiva (sem necessidade de prova de dolo ou culpa) dos fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis que tragam vícios de qualidade (prazo de validade ultrapassado, por exemplo) ou quantidade que, dentre outras coisas, os tornem impróprios ou inadequados ao consumo. O CDC é tão atento à questão que, além de determinar ser a responsabilidade objetiva nesses casos, diz, ainda, que se trata também de responsabilidade solidária, pelo que mesmo o fabricante pode ser responsabilizado caso o comerciante venda o produto daquele (do fabricante) após expirada a validade.
Em todo caso, porém, o melhor, inclusive pra evitar dor de cabeça, é checar o prazo de validade, tanto dos incensos, como de tudo o mais. Quando a gente esquecer disso, todavia, e se deparar com um produto com prazo de validade expirado, é preciso, apesar de ser algo chato e até desgastante de fazer, reclamar. Reclamar pra que o consumidor seja tratado com mais cuidado. Reclamar porque, nessas situações, realmente é preciso. E como é!
terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Cabelo II
A postagem de ontem me fez lembrar de um rabisco antigo. Diz assim:
Corto todo o meu cabelo. Eu, sozinha. Corto-o em silêncio. É um ritual. Ninguém me vê. Somos apenas a tesoura e eu e os cabelos que pela cama vão se espalhando. A porta está fechada e eu estou sublime. Agora, agora que já comecei, percebo que isso não é uma passagem. Ao contrário. É uma volta à origem, à minha origem primeira.
Os pedaços que corto são pequenos. Dois, três centímetros no máximo. Mas eu quero que seja assim. Quero que tudo se passe devagar. Estou suspensa no tempo. Ao meu redor, os pedaços de cabelo vão formando um círculo conforme caem. Algo se cria entre eles e eu. Algo que nunca existiu, mas necessário para que, depois, eu possa abandoná-los.
Em verdade, eles nunca foram meus. Como tu. Mas também no teu caso eu preciso fazer real o elo que o meu pensamento acredita existir. Só então poderás partir. Após me teres ensinado o caminho que é capaz de se fazer depois de ti. Perdão.
O último pedaço de cabelo cai. Percebo que eles são bonitos. Ganharam vida ao cair no chão da minha cama. Não sorrio, não choro, estou suspensa do meu eu de há pouco. Volto ao lugar de onde me havia perdido. Apanho um tubo de cola. Serenamente, recolho algumas canetas, ponho-as sobre a cama e, uma a uma, revisto-as com os cabelos que, pacíficos, não reagem ao toque dos meus dedos.
Corto todo o meu cabelo. Eu, sozinha. Corto-o em silêncio. É um ritual. Ninguém me vê. Somos apenas a tesoura e eu e os cabelos que pela cama vão se espalhando. A porta está fechada e eu estou sublime. Agora, agora que já comecei, percebo que isso não é uma passagem. Ao contrário. É uma volta à origem, à minha origem primeira.
Os pedaços que corto são pequenos. Dois, três centímetros no máximo. Mas eu quero que seja assim. Quero que tudo se passe devagar. Estou suspensa no tempo. Ao meu redor, os pedaços de cabelo vão formando um círculo conforme caem. Algo se cria entre eles e eu. Algo que nunca existiu, mas necessário para que, depois, eu possa abandoná-los.
Em verdade, eles nunca foram meus. Como tu. Mas também no teu caso eu preciso fazer real o elo que o meu pensamento acredita existir. Só então poderás partir. Após me teres ensinado o caminho que é capaz de se fazer depois de ti. Perdão.
O último pedaço de cabelo cai. Percebo que eles são bonitos. Ganharam vida ao cair no chão da minha cama. Não sorrio, não choro, estou suspensa do meu eu de há pouco. Volto ao lugar de onde me havia perdido. Apanho um tubo de cola. Serenamente, recolho algumas canetas, ponho-as sobre a cama e, uma a uma, revisto-as com os cabelos que, pacíficos, não reagem ao toque dos meus dedos.
domingo, 26 de abril de 2009
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