- É a coisa mais horrível do mundo dizer que o Brasil é o país do futuro - falou. E completou: - é, porque o futuro nunca chega.
Não tive vontade de responder nada. Só lembrei, em silêncio, de um personagem de um livro que li, personagem esse que dizia que o futuro serve pra gente construir o presente. Pra construir o presente, disse a mim mesma.
domingo, 31 de maio de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Janela
Falar em portas me fez lembrar de janelas...
Caminho
Ela finalmente encontrara a janela
A janela que estava longe de ser um ombro
Onde repousar a cabeça para dormir
Para esquecer
O azedo
Sim. Daquela vez, a janela era libertação
Deixava de ser símbolo de conformismo
De tábua
(Embora não de salvação)
É verdade
Nunca uma janela fora tábua de salvação para ela
Haviam sido, antes, encosto, dando um pouco mais de fôlego
Ou melhor, apenas um pouco mais de ar
Para prolongar os suspiros
Só que, daquela vez, bem, daquela vez a janela não era exatamente uma janela
Isso é, a janela, embora janela, foi compreendida por ela como uma porta
Uma porta que se abriu devagarzinho, deixando entrever uma fresta
A fresta por onde ela iria passar
Caminho
Ela finalmente encontrara a janela
A janela que estava longe de ser um ombro
Onde repousar a cabeça para dormir
Para esquecer
O azedo
Sim. Daquela vez, a janela era libertação
Deixava de ser símbolo de conformismo
De tábua
(Embora não de salvação)
É verdade
Nunca uma janela fora tábua de salvação para ela
Haviam sido, antes, encosto, dando um pouco mais de fôlego
Ou melhor, apenas um pouco mais de ar
Para prolongar os suspiros
Só que, daquela vez, bem, daquela vez a janela não era exatamente uma janela
Isso é, a janela, embora janela, foi compreendida por ela como uma porta
Uma porta que se abriu devagarzinho, deixando entrever uma fresta
A fresta por onde ela iria passar
sexta-feira, 29 de maio de 2009
das árvores
Portas

Às vezes, fechar um livro é como fechar uma porta. Uma porta que, por isso ou por aquilo, não mais convém ser aberta.
Pelo menos, sei que, ao abrir outro, encontrarei uma outra porta. Talvez a porta então necessária à vida. Talvez uma porta bonita como essa aí do lado, criada por Michelangelo Pistoletto.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Corpos
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Essas imagens são de um trabalho da artista cubana Ana Mandieta, Body Tracks (Rastros Contemporales). Nele, ela se propôs a mexer com a ideia de um auto-retrato em ruinas. Ela queria apresentar o corpo dela (sim, é ele que aparece nessa série de fotos) como um corpo não individualizado, como um corpo igual a todos os outros corpos. Isso me lembrou muito Tereza, um personagem de (Milan) Kundera, me lembrou muito algo que ele escreve sobre ela: "Agora podemos compreender melhor o sentido do vício secreto de Tereza e de suas longas e repetidas permanências diante do espelho. Era um combate com sua mãe. Era o desejo de não ser um corpo como outros corpos, mas de ver sobre a superfície de seu rosto a tripulação da alma surgir do ventre do navio." E mais adiante: "(...) Viera viver com ele para escapar do universo materno, em que todos os corpos eram idênticos. Viera viver com ele para que seu corpo se tornasse único e insubstituível. E eis que ele traçava um sinal de igualdade entre ela e as outras, beijando todas da mesma maneira, distribuindo as mesmas carícias, não fazendo nenhuma, nenhuma, mas nenhuma diferença entre o corpo de Tereza e os outros corpos. Ele a devolvia ao universo do qual pensava ter escapado. (...)" (A insustentável leveza do ser)
terça-feira, 26 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
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